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Meu olhar dos cinco anos
Meu olhar dos cinco anos,
grave e atento – o rosto sério,
as plantas oferecidas,
toda a natureza quieta,
um segredo em cada pedra,
cada semente – um mistério.
Tocar uma sensitiva
– olhos e dedos alertas –
ver meu toque se espraiando
como arrepio correndo,
traço riscado na espinha,
rápida escala ao piano.
Olhos abertos diante
daqueles outros – fechados,
fina linha verde-clara
de folíolos ordenados
par de lábios que nos calam
a resposta desejada.
Meu olhar dos cinco anos:
a menina toda quieta.
Um segredo em cada esquina
pelos caminhos do tato,
sem saber o tempo todo
que eu mesma era a sensitiva
de mim para mim – fechada.